PREMIUM: Com um total de 38 canais e 32,9 milhões de telespectadores distribuídos em quase 10 milhões de domicílios no Brasil, a Globosat ao longo de seus quase 21 anos de existência se tornou a programadora de televisão por assinatura mais importante do país. Sobre esses assuntos, assim como serviços online, VOD e oportunidades de crescimento para a Globosat, Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat falou com exclusividade para a TV Brasil.
Nos últimos anos, graças ao crescimento da classe média, o Brasil experimentou um grande desenvolvimento social e econômico. Diante disso, Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, explica que “a televisão por assinatura é um dos segmentos da mídia de crescimento mais rápido no Brasil. Sempre mantivemos a posição número um ou dois nos segmentos líderes em termos de taxas de crescimento no Brasil, o que significa que temos coletivamente ganhado participação de mercado nos últimos 10 anos, pelo menos”.
Apesar dessa perspectiva positiva, o executivo acredita que não há espaço para continuar lançando novos canais e que os últimos três, SporTV 3, OFF e Gloob, foram negociados há mais de três anos. A Globosat usou um espaço que já estava garantido.
Hoje a empresa está se preparando para transmitir os Jogos Olímpicos de Londres e os quatro canais SD do grupo vão se desdobrar em sinais HD. A empresa deve lançar ainda um canal 3D-24 horas para cobrir o evento.
TV BRASIL: Especialistas em economia e publicidade citam o Brasil como uma economia em crescimento não apenas na América Latina, mas também em todo mundo. Como isso tem impactado os negócios da Globosat?
PECEGUEIRO: Isso não tem apenas impactado os negócios da Globosat mas a televisão por assinatura como um todo. A televisão por assinatura é um dos segmentos da mídia de crescimento mais rápido no Brasil. Às vezes ela fica atrás da televisão aberta ou da Internet mas sempre mantivemos a posição número um ou dois nos segmentos líderes em termos de taxas de crescimento no Brasil, o que significa que temos coletivamente ganhado participação de mercado nos últimos 10 anos, pelo menos. O interessante desse fenômeno é o fato de termos sido impulsionados por um crescimento na base de assinantes.
Em outros mercados, há dúvidas se a Internet será a grande vencedora em termos de crescimento. No Brasil, a base de assinantes triplicou nos últimos sete ou oito anos e isso tem garantido nosso crescimento em participação de mercado sobre o montante de publicidade mundial. Essa é uma grande vantagem sobre as oscilações da economia e os efeitos da crise internacional.
TV BRASIL: Durante nossa última entrevista, você comentou o lançamento de novos canais: a SporTV 3 e dois em HD. O que você pode dizer sobre o status desses canais? Quais são as condições ideais de um mercado para continuar lançando canais?
PECEGUEIRO: Acho que a última parte de sua pergunta esteja se tornando ficção porque no cenário do mercado brasileiro não há mais espaço para canais novos. A maioria das operadoras de DTH e cabo possuem todas as freqüências. Se houver investimento de empresas de cabo ou se as operadoras de DTH contratarem uma capacidade maior de satélite em dois ou três anos podemos voltar a falar no assunto mas, no futuro próximo, não há espaço para mais canais. Tivemos sorte em ter negociado novas freqüências há alguns anos. Estes três novos canais que você mencionou foram negociados há três anos e estamos apenas preenchendo um espaço que já estava garantido.
Neste momento, a SporTV 3 ainda não é oferecida pela SKY no Brasil, que está atrás por causa de falta de capacidade. Com exceção da SKY, o canal tem uma ampla distribuição. Outro canal que conta com uma cobertura completa pelas operadoras se chama OFF, o que é uma grande surpresa para nós.
É um canal de nicho dedicado a esportes radicais, estilo de vida e aventuras em HD. O canal tem imagens incríveis e tem um impacto no público-alvo, que não acho que seja o jovem, mas pessoas que gostam desse estilo de vida, pessoas que praticam surf, skate, snowboard, ski, caiaque, entre outros. A combinação desses esportes se tornou muito popular nos últimos 20 anos e eles não podem mais ser chamados de extremos ou marginais.
Esses esportes representam algo que é maior do que qualquer outro esporte no Brasil, com exceção do futebol. De modo que seu impacto é incrível. O comentário mais freqüente que recebemos sobre o canal é que ele se tornou um elemento de decoração da casa. As pessoas deixam a televisão ligada no canal, mesmo que não estejam assistindo, por causa da beleza e do poder das imagens. Atingimos nossos objetivos de patrocínio para o canal, o que reflete seu bom desempenho. Lançamos esses canais sem esperar muito, mas o impacto no Brasil tem sido fantástico. E o último dos três canais chama-se Gloob, um anagrama de Globo. Ele foi lançado no dia 15 de junho e é a nossa primeira incursão no mercado infantil. Respeitamos muito nossos concorrentes e sabemos que as marcas no mercado brasileiro são jogadoras peso-pesados, empresas que têm agregado um grande conhecimento deste segmento, mas acreditamos que podemos criar um espaço para nós neste mercado. Estamos orientados para o segmento de crianças entre 5 e 9 anos. Vamos aprender muito sobre o mercado a partir de agora, estamos investigando, medindo o impacto, enfrentando os desafios de forma gradual e esperamos que em dois ou três anos estejamos entre os principais canais nessa categoria.
TV BRASIL: A alta definição tem sido um bom negócio para empresas de mídia na América Latina que queriam lançar um canal HD no Brasil. Como o produto tem se desenvolvido na Globosat? Foram criados pacotes para diferentes classes sociais no Brasil? Se afirmativo, qual foi a recepção pelos assinantes?
PECEGUEIRO: Ainda o consideramos um produto emergente. Faz quase cinco anos, por exemplo, que lançamos o nosso primeiro canal em HD e até agora nenhum anunciante nos abordou para exibir publicidade em HD. No lado dos assinantes, os ratings não são medidos regularmente. Portanto, embora não temos certeza de seu potencial, não contamos com muitos dados para confirmá-lo.
TV BRASIL: Sobre serviços online e VOD, quais foram os resultados de muu.globo.com? Eles oferecem alternativas para o celular?
PECEGUEIRO: O globo.com é o motor tecnológico para as várias empresas da organização. A Globosat tem o seu próprio departamento de novas mídias, como gosto de chamá-lo ao invés de departamento de Internet, porque inclui as ofertas de VOD com operadoras de cabo e não só produtos de Internet. E isso é algo que tem se expandido rapidamente. Temos uma oferta incrível de aplicativos para nossos canais. Lançamos o muu.globo.com como plataforma online para o conteúdo da Globosat. O Muu e a Telecine estão trabalhando juntos para lançar o Telecine Play, uma plataforma de VOD na Internet. Essencialmente estamos com uma estratégia de TV Everywhere, para a qual formaremos parcerias com nossos clientes no segmento de televisão por assinatura, que são o DTH e as operadoras de cabo. Os assinantes terão acesso a uma grande quantidade de conteúdo na Internet ou como formato de VOD para filmes e também teremos uma plataforma aberta com o conteúdo da biblioteca que estará disponível como uma ferramenta promocional para os negócios de assinatura. Isso já está em operação e estamos fazendo tudo o que podemos para acelerar a oferta. Temos ofertas puras de Internet, jogos e aplicativos disponíveis através de nosso portal. Também lançamos um produto chamado Philos que é muito sofisticado.
Neste momento estamos chegando a 500 horas de conteúdo original e adquirido disponível através de VOD. É um produto de alta qualidade que conta com música clássica, arte, documentários, entrevistas e até filmes para os assinantes mais sofisticados. Sofisticados em termos de maior nível cultural o que não tem necessariamente a ver com a classe A ou B – basta que se tenha um interesse especial por cultura.
O interessante de tudo isso é que há, como mencionei no início, uma escassez de freqüências para lançar canais lineares e a idéia de desenvolver produtos através de VOD é algo que estamos testando. Estamos prestes a lançar algo chamado Clapp, que é o mesmo para o segmento de música ao vivo. Dependendo da performance desses produtos, talvez possamos expandir esse tipo de oferta de conteúdo encapsulado para VOD que não seja necessariamente através da Internet mas de plataformas de VOD ou operadoras de cabo. Esses são exemplos do que estamos fazendo fora dos canais lineares, do que estamos investindo pesado e do que acreditamos que deva ajudar nossos negócios principais além de abrir novas oportunidades de crescimento no futuro.
TV BRASIL: Quais são as oportunidades de crescimento para a Globosat nos próximos cinco anos?
PECEGUEIRO: Tendemos a ser muito cautelosos. Estamos no Brasil o tempo suficiente para entender que a economia vive ciclos de grande crescimento e de pequeno crescimento. Não estamos apostando que o Brasil vá continuar crescendo assim para sempre. Entendemos que muitas empresas internacionais de mídia estão considerando o Brasil como a última Coca-Cola no deserto mas não temos a intenção de embarcar nessa euforia. Tendemos a ser mais conservadores e sabemos que o Brasil não é uma ilha e que, de alguma maneira, está envolvido na economia internacional. Portanto, se há uma desaceleração na economia mundial, o Brasil também pode sofrer um declínio na taxa de crescimento.
TV LATINA