Julio 2005
Por María
Teresa Alvarado
Alberto
Pecegueiro começou a trabalhar na Globosat em 1994 quando a empresa tinha
apenas quatro canais. Hoje, o ramo de programação de canais pagos das
Organizações Globo possui 22 canais para todos os gostos, incluindo canais de
esporte, entretenimento, informação, educação, para o público feminino, adulto,
entre outros. Além disso, a Globosat conta com o Telecine —produto de uma
aliança estratégica entre a FOX, MGM, Paramount e Universal. Em outras
palavras, a Globosat é atualmente a terceira maior companhia de mídia do
Brasil.
TV
LATINA: Como
foi o desempenho da Globosat em 2004?
PECEGUEIRO: Foi um ano muito bom. Primeiro
porque, do ponto de vista macroeconômico, foi um ano positivo para o Brasil. O
setor da televisão paga precisava de um ambiente externo favorável. Quando a
economia cresce, se facilitam as condições para o aumento da base de assinantes
e, consequentemente, o desempenho das vendas de publicidade. Além disso, o
cambio se comportou muito bem, e não houve um impacto profundo na compra de
insumos fora do país. No geral, houve um aumento de receita e uma manutenção do
controle de custos, o que, no final, representa um resultado líquido favorável
para a companhia. Tivemos um ano de crescimento do market share em quase todos os nossos
canais. E a grande surpresa foi o desempenho do canal Universal logo que mudou
de marca. Ele obteve um ano de excelentes ratings e já se encontra entre os cinco
canais mais assistidos do Brasil.
TV
LATINA: Quais
são os planos de investimento da Globosat a médio prazo para aumentar o número
de assinantes e sua receita?
PECEGUEIRO: Com relação aos assinantes, o
esforço se dá através das operadoras. A responsabilidade não é da Globosat. E
sabemos que a fusão entre a DIRECTV e a Sky vai resultar numa operadora muito
mais forte com uma capacidade de atração muito maior. Esperamos que as
autoridades competentes no Brasil nos dêem o sinal verde para que possamos
implementar essa mudança no final do ano. As operações dos canais a cabo Net Serviços,
por sua vez, estão alcançando um resultado muito bom. Elas estão chegando a
termos positivos na negociação de sua dívida, o que vai permitir que a empresa
cresça. Tenho ainda que mencionar a entrada da companhia Telmex o que dá à TV a
cabo um poder de jogo muito maior. Além disso, no ano de 2004, a Net Serviços
avançou em termos de tecnologia digital. Isso mostra o esforço para tornar a TV
a cabo mais competitiva com relação às plataformas de DTH e a vontade de
acrescentar mais canais. (O modelo analógico já tinha chegado ao número máximo
de freqüências disponíveis). Como um todo, tanto a Globosat como as operadoras,
estão focadas em conteúdos digitais: em novos canais para pacotes digitais, em
novas opções de conteúdo interativo, em pay-per-view, etc. Claro que isso não
significa que deixaremos de lado a tarefa de atrair espectadores para os canais
básicos. Há uma missão diária, mas não faremos novos lançamentos dentro de
pacotes básicos. Neste sentido, nosso foco está em melhorar o que já existe.
TV
LATINA: Vocês
já contam com 22 canais. Qual é a demanda para lançar canais novos?
PECEGUEIRO: Não gostaria de opinar sobre a
demanda. Só posso dizer que estamos trabalhando no projeto de cinco novos
canais digitais. Lançamos o primeiro no dia 31 de março ––um canal
adulto dirigido ao público homossexual masculino.
TV
LATINA: Como
será o comportamento do mercado em 2005?
PECEGUEIRO: O mercado publicitário tende a
valorizar cada vez mais a televisão paga no Brasil. Trinta por cento da receita
dos canais básicos da Globosat vêm da venda de publicidade. E eu acho que isso
é ainda mais significativo se tomarmos em conta que não vendemos programação
fora do Brasil e que sofremos a concorrência de canais internacionais, os
quais, em sua maioria, têm equipes especializadas só para vender publicidade no
Brasil, além de um apoio forte nos Estados Unidos e na América Latina. Apesar
disso, a Globosat continua sendo a mais forte em vendas de publicidade no
Brasil, e isso é resultado da qualidade de nosso pessoal assim como de nossa
postura e do enfoque profissional que temos mantido desde o início. Por outro
lado, como nossos canais estão tão bem posicionados no ranking de audiência, é natural que
sejamos a primeira opção dos investimentos em publicidade no Brasil.
TV
LATINA: Então,
o senhor prevê um crescimento de mercado no Brasil?
PECEGUEIRO: O mercado de publicidade vai
crescer com certeza. Estamos contando com um crescimento de 5 a 10 por cento na
base de assinantes. Uma das coisas que vamos nos dedicar mais é a venda de
publicidade fora do Brasil. Recebemos várias manifestações de interesse por
parte de companhias internacionais que compram espaços publicitários no Brasil,
ou fora do Brasil para o Brasil. Estamos buscando entender quais são as
necessidades dessas companhias para elaborar soluções interessantes para elas.
TV
LATINA: Há
planos de lançar canais fora do Brasil?
PECEGUEIRO: Queremos lançar algo junto com
a Globo para a América Latina, mas não nos canais já existentes da Globosat.
Neste ponto não nos interessa dividir esforços. Temos uma posição de liderança
no Brasil e estamos trabalhando muito para mantê-la já que a concorrência dos
canais internacionais é forte.
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